Voz do Setorista: Paquetá é do Flamengo! Manu Ribeiro conta os detalhes
Longas três semanas. Desde o “sim” de Lucas Paquetá ao Flamengo até o acordo com o West Ham para a contratação do meia, fechada nesta quarta-feira, a situação mudou diversas vezes. Com idas, vindas, avanços e retrocessos, o jogador e a diretoria rubro-negra chegaram a temer que a negociação fosse melar. Mas, no fim, o clube acertou o reforço mais caro da história do futebol brasileiro.
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Idas e vindas
O Flamengo temeu pelo pior já na reta final da negociação. Na terça, véspera do acerto, havia grande dificuldade para chegar a um acordo com o time inglês em relação à forma de pagamento.
O jogador de 28 anos aceitou a proposta do Flamengo no início de janeiro. Com os termos ajustados para o retorno ao Brasil, o meia fez força junto ao West Ham para conseguir a liberação, mas o clube fez jogo duro. O posicionamento dos empresários na negociação ajudou o Fla a destravar o acordo — as conversas iniciais foram intermediadas pelo estafe de Lucas Paquetá, e o Flamengo só oficializou a proposta depois de ter em mãos informações que ajudariam no acerto.
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No fim das contas, a diretoria rubro-negra conseguiu convencer os ingleses dentro do limite que poderia chegar para contratar o jogador. O West Ham colocou o preço inicial do atleta em 60 milhões de euros (R$ 376 milhões). O Flamengo, desde o início, admitia pagar até 40 milhões de euros (R$ 250 milhões). A primeira proposta incluía um valor fixo e outra parte em bônus. Não teve conversa — o clube de Londres só aceitaria negociar o meia por todo o montante fixo.
O clube inglês também bateu o pé no início sobre a liberação imediata de Paquetá, mas, devido ao desejo do jogador e à melhora do time na Premier League, esse empecilho foi superado.
A diretoria rubro-negra, então, esticou a corda até os pouco mais de 41 milhões de euros (R$ 255 milhões). O que fez o Flamengo ter dúvidas sobre o acerto foi o que veio depois — o West Ham não queria flexibilizar a forma de pagamento. A diretoria rubro-negra gostaria de pagar em três anos, e os ingleses queriam receber em um ano e meio em parcelas mais generosas.
Dependendo do aval do presidente Bap, que não queria comprometer o planejamento financeiro do clube, o Flamengo não conseguiu chegar nas condições impostas. Ofereceu pagar em 24 meses e tentou diminuir o número de parcelas, mas o West Ham não queria ceder. O clube brasileiro, na terça, chegou a considerar o negócio difícil e temeu pelo final infeliz.
O Flamengo conseguiu convencer o West Ham com outra estratégia. Aumentou R$ 5 milhões na proposta e pagará 42 milhões de euros (R$ 260 milhões) por Paquetá. Conseguiu que o parcelamento seja até 2028. Vitória comemorada internamente.
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Concorrência de peso na Europa
Apesar do receio de ver o negócio melar, o clube rubro-negro tinha um motivo para confiar e insistir no modelo que considerava mais confortável: o fato de o West Ham ter se adiantado e buscado reposição para Paquetá no mercado.
O clube recebeu a informação de que o técnico Nuno Espírito Santo não contava mais com ele para a temporada. O meia não queria ficar e, caso o acerto com o Flamengo não acontecesse, os londrinos teriam um jogador insatisfeito no elenco em meio à situação delicada do time, que briga contra o rebaixamento.
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O sucesso na negociação foi comemorado por causa do contexto. O Flamengo entende que esta contratação o fez pisar em solo desconhecido por clubes brasileiros, já que disputou Paquetá com times de prestígio na Europa. A equipe rubro-negra venceu a concorrência com Tottenham e Chelsea, que fizeram propostas pelo atleta.
Obviamente, a vontade de Paquetá retornar ao Fla pesou, mas entende-se que o momento do clube foi fundamental para esta escolha. Filipe Luís também teve participação no acerto, como aconteceu em outras contratações de peso do Flamengo. O negócio só andou depois que Bap retornou de férias — os termos foram ajustados em reuniões com o diretor de futebol José Boto. O treinador também participou do debate sobre até onde a diretoria chegaria no negócio.
Lucas Paquetá é aguardado pelo Flamengo nesta quinta-feira
Reprodução/Instagram
Paquetá viveu dias de tensão
A ansiedade pelo retorno era tanta que Paquetá não fugiu do “embate” com o clube inglês. Reuniu-se com o treinador e disse que gostaria de sair, avisou à diretoria e pediu para ficar fora dos últimos jogos. Pessoas próximas ao meia relatam que, há dias, ele vivia um estado de euforia, com a vida praticamente paralisada à espera do acerto. A escolha pelo Flamengo neste momento se deu também por uma questão de saúde mental, depois de ter enfrentado uma acusação de envolvimento com apostas na Inglaterra — ele foi absolvido em julho do ano passado.
A dificuldade do Flamengo em se acertar com o West Ham fez o meia chorar em alguns momentos, receoso de não conseguir retornar agora ao clube que o formou. Com a cabeça no Ninho do Urubu, Paquetá e sua equipe recusaram propostas melhores para o jogador na Europa. A espera acabou nesta quarta-feira e, com tudo pronto há dias, o cria rubro-negro chega nesta quinta ao Rio de Janeiro. Como disse em sua despedida do clube inglês, ele está voltando para casa:
“Olá, Hammers. Começo agradecendo a todos do clube – estafe, funcionários e jogadores por esses anos que aqui vivi. Momentos únicos, marcantes da minha vida até aqui. Dias felizes e outros nem tanto, mas sempre tentei ser a minha melhor versão. E todos nós sabemos o porquê isso não foi mais possível. Algumas marcas eu levarei para o resto da minha vida, e uma delas me fez entender que não posso mais seguir lutando contra algo que não é mais para mim. Recusei, sim, ir para times rivais e continuar na Europa. Eu nunca pedi para ir embora, eu pedi, sim, para voltar para minha casa. Espero que um dia vocês entendam que nada é mais confortante do que poder voltar para casa. Eu preciso disso para o bem da minha saúde mental, da minha esposa, dos meus filhos.
Preciso apenas encontrar a felicidade de jogar futebol, reencontrar minha paz. Entendi que aqui ainda precisaria lutar guerras que não são mais para mim. Nunca foi pelo momento atual do clube. Quando cheguei aqui, lutávamos pela mesma situação e, no fim, terminamos conquistando um título que ficará para sempre na história. Eu sei que alguns de vocês não lembrarão de mim assim e peço desculpas, mas aquele passe para o Bowen saiu dos pés de um cara que sempre foi fiel ao seu sonho, e ninguém nunca apagará isso. Estou voltando para casa, mas seguirei torcendo por vocês. Obrigado por tudo, West Ham”.
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