
Ídolo do Fluminense, Paulo Victor liderou acesso do Remo à Série A há 34 anos
Mesmo a mais de 1.000 km do Rio de Janeiro, o ex-goleiro Paulo Victor mantém o amor e a conexão com o Fluminense, clube pelo qual atuou por sete anos e conquistou um Campeonato Brasileiro e três Cariocas. Atualmente morando em Uberlândia, o ídolo tricolor também tem história com a camisa do Remo, rival tricolor nesta quinta-feira (12), pela 5ª rodada do Brasileirão.
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Paraense de Belém, Paulo Victor vestiu a camisa do Remo em 1992 e foi titular na campanha do acesso da equipe à Série A do ano seguinte. Aquela era a última vez que o Leão havia conseguido subir à primeira divisão até 2025, quando a equipe retornou à elite nacional.
Paulo Victor ex-goleiro Fluminense com a camisa do Remo
Arquivo
Remo e Fluminense se enfrentam às 19h de quinta-feira, no Mangueirão, em Belém, pela quinta rodada do Brasileirão. O Premiere transmite a partida, e o ge acompanha em tempo real com vídeos exclusivos (clique aqui para seguir).
Em entrevista ao ge, Paulo Victor relembrou com carinho a passagem pelo time da cidade-natal e disse ter comemorado o retorno do Remo ao Brasileirão. No entanto, garantiu que a torcida dele no confronto desta quinta vai para o Fluminense.
— Fiquei muito feliz pelo Remo ter subido, tirei algumas fotos com a camisa do Remo. Fico muito feliz de ter participado dessa história do clube. Mas o coração não fica dividido. No Remo eu joguei um ano, no Fluminense eu joguei dez. Eu sou torcedor do Fluminense desde pequeno, o coração é tricolor — afirmou.
Paulo Victor ex-goleiro Fluminense
Luís Fellipe Borges/ge
Na conversa, registrada na sede da Confraria Fluberlândia – um reduto tricolor na cidade mineira – Paulo Victor também agradeceu aos tricolores pelo respeito e pela idolatria.
— É bom ser reconhecido, ser lembrado por tudo o que você fez, porque a gente sempre fala que um ídolo não se faz só dentro de campo. O ídolo é feito fora de campo, dos seus atos, das suas atuações, do respeito e do carinho para com todos. Todas as torcidas, quando me encontram, o carinho é o mesmo — afirmou.
“Tudo na vida passa, um dia eu vou passar, mas o mais importante é que a minha história, ela não vai passar, ela vai ficar”.
Do Flu ao Remo
Paulo Victor nasceu em Belém no dia 7 de junho de 1957. Com menos de um mês de vida, se mudou para Goiânia com a família. Três anos depois, passou a viver em Brasília, onde cresceu e deu os primeiros passos no futebol com a camisa do CEUB.
O goleiro chamou a atenção do Fluminense e foi contratado em 1981, quando deu início a uma passagem vitoriosa que durou quase uma década, com 362 jogos. No período, conquistou o tricampeonato carioca entre 1983 e 1985 e o título do Brasileirão de 1984, se consagrando como ídolo do clube. Ele também defendeu a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México.
Paulo Victor Fluminense
Reprodução
Após deixar o Tricolor, Paulo rodou por America-RJ, Coritiba, Sport, São José-SP e Grêmio Maringá até chegar ao Clube do Remo em 1992. Foi a primeira vez que o jogador paraense defendeu uma equipe do próprio estado na carreira, e a passagem fez com que ele se encantasse com a torcida azulina.
— Eu tinha duas propostas, uma para ir para o Ceará e outra para o Remo. Eu pensei: “eu nasci em Belém, então vou lá conhecer a minha cidade. Jogar um Re-Pa no Mangueirão é uma coisa de louco. É uma torcida fanática, aguerrida, que briga, que exige, que busca mesmo, que faz você jogar — disse.
Logo na primeira temporada em Belém, Paulo Victor participou da campanha do acesso do Remo à Série A – naquele ano, a CBF promoveu doze equipes para a primeira divisão do ano seguinte. A campanha foi muito celebrada pela torcida nas ruas de Belém.
— No dia que nós chegamos no aeroporto de Val-de-Cans, lá em Belém, a torcida do Remo estava esperando a gente subir, foi maravilhoso, fantástico. Não tem nem como descrever a emoção que a gente sentiu, e a emoção dos torcedores invadindo aquele espaço do aeroporto foi sensacional. E depois você andando de carro de bombeiro, andando pela rua, sensacional — relembrou.
Três décadas depois, o Remo subiu novamente para a Série A com o quarto lugar na Série B do ano passado. Após o acesso, Paulo Victor publicou um vídeo com a camisa do Leão em que comemorou a campanha azulina.
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Baenão e Curuzu
Após o acesso com o Remo em 1992, Paulo Victor recebeu propostas do Paysandu e do Fortaleza. Já acostumado à vida na região Norte, o goleiro optou por seguir em Belém, “atravessou a rua” do Baenão para a Curuzu e passou a defender as cores do maior rival do Leão.
Baenão e Curuzu, estádios de Remo e Paysandu, vista aérea
Fernando Araújo/O Liberal
No Papão, Paulo Victor viveu altos e baixos precisou lidar com a rivalidade entre as torcidas. Ele conta que chegou a ser cortado da escalação em um clássico Re-Pa por ter falhado na partida anterior.
“Lá a cobrança é muito grande. Se você falha em um jogo, a torcida vem em cima de você. Então quando eu falhei nesse jogo, a torcida veio em cima e o treinador imediatamente me tirou do time”.
— Eu tinha uma casa em Mosqueiro, na praia, e quando eu fui ver a relação para o jogo contra o Remo, meu nome não estava. Então eu decidi ficar na casa de praia. Lá no dia do jogo, o telefone toca: “você tem que voltar, você vai jogar”. E fomos lá, jogamos, perdemos para o Remo de 1 a 0. Fui o melhor jogador em campo, mas depois eu não quis ficar mais no time. Os caras queriam que eu ficasse, mas eu falei que não queria — relembrou.
Com a saída do Paysandu, Paulo Victor se transferiu para o Volta Redonda em 1994. Foi o último clube da carreira do ídolo tricolor.