Aos 83 anos, palmeirense realiza sonho de ver o time de perto
Durante toda a vida, Walter Moreira Silva acompanhou o Palmeiras pelo rádio e pela televisão. Palmeirense desde criança, quando o pai era zelador do “Palmeirinha”, um clube tradicional de Franca (SP), ele esperou 83 anos para finalmente realizar o sonho de acompanhar o time do coração bem de perto, no estádio.
– Parece até brincadeira, mas é realidade. Eu não esperava assistir a um jogo do Palmeiras, nunca – disse.
Walter, torcedor do Palmeiras que foi ao estádio pela primeira vez
Arquivo Pessoal
Ele mora há oito anos em um asilo de Franca. Desde que chegou ao Lar de Ofélia por meio de um acolhimento em conjunto com a prefeitura, deixou claro o amor pelo Verdão, segundo Angra Reis Florentino, coordenadora do lar.
– Ele desde sempre manifesta esse amor pelo Palmeiras. E ele tem a rotina de ver os jogos, então ele já fala para a gente “hoje tem jogo do Palmeiras”. Aí ele assiste os jogos e no outro dia a gente chega ele já vem falar quanto que ficou o resultado, o que aconteceu, sempre vibrando. Então mostra que vem, como ele diz, desde as raízes da infância dele, uma coisa que ele nutriu e que ele mantém hoje ainda vivo aqui no acolhimento.
Foi do lar que, no dia 18 de março de 2026, Walter partiu para realizar um sonho, que parecia impossível e estava guardado por tanto tempo. A espera valeu a pena e ele foi coroado com uma vitória do Verdão por 2 a 1 em cima do Botafogo, no Brasileiro.
– Eu não fechei os olhos [durante a viagem]. Viajei daqui a São Paulo cantando. […] Quando fez o primeiro gol saiu lágrimas dos meus olhos. […] é difícil não ficar emocionado, é difícil, a gente fica emocionado mesmo – afirmou.
Sr. Walter nunca tinha ido ao estádio do Palmeiras
Fábio Junior/EPTV
“Gerou identificação”
Foram quase cinco horas de viagem de Franca até São Paulo. Junto com Walter estavam a psicológoca do lar, Flávia Leporacci, e a assistente social Ana Luiza Prates, assistente social.
– No carro ele estava extremamente ansioso. Toda hora arrumando alguma coisa, a gente colocou música e ele cantou, se emocionou, ficou olhando na janela toda hora pra ver se estava chegando. E aí quando a gente chegou em São Paulo, acho que ele levou um baque, por ver uma cidade maior do que ele tá acostumado, não sei se ele já frequentou muito lá também, então tudo foi uma surpresa – disse Flávia.
Walter se emociona ao lembrar do dia em que assistiu o time de perto pela primeira vez
Fábio Junior/EPTV
Mas a identificação do Walter começou ainda antes da chegada ao estádio, na parada para o almoço no shopping.
– Quando a gente foi ao shopping pra comer antes do jogo, ele ficou maravilhado que todo mundo estava com roupa do Palmeiras. Então ele falava “olha, uma blusa do Palmeiras. Outra blusa. Tem quatro pessoas aqui” e foi chegando cada vez mais palmeirenses e ele ficou deslumbrado que estava todo mundo que nem ele.
– Gerou uma identificação mesmo, de ver que todas aquelas pessoas estavam reunidas com o mesmo propósito que ele tem de vida desde que ele se entende por gente. Ele estava ali reunido com a galera dele – disse Flávia.
Para ver o Palmeiras de perto, o torcedor viajou por quase 5 horas
Fábio Junior/EPTV
“Não saía nem a voz”
No caminho para o estádio, os três fizeram uma longa caminhada, o que também se tornou uma lembrança marcante para Walter.
– A gente teve que andar demais lá antes de ver o estádio. Achei até que eu estava perdido ali, mas achei. Achei e gostei. Nunca tinha visto [um estádio daquele tamanho] – brincou.
Walter levou uma plaquinha que segurou durante o jogo no estádio
Fábio Junior/EPTV
Nas arquibancadas, Walter estava deslumbrado.
– Eu vi com os meus olhos e gritei com a minha boca. Se marcasse mais gols, três, quatro gols, eu ficava rouco, não saía nem a voz – disse o palmeirense.
Na casa do Verdão, Walter aproveitou cada segundo e virou celebridade entre os torcedores.
– Ele se emocionou o tempo todo. Tirou foto com o mascote, interagiu com a torcida do lado, ganhou a camiseta. Foi emocionante do começo ao fim – comentou Ana Luiza.
O torcedor guarda com carinho as lembranças
Fábio Junior/EPTV
O momento foi tão especial, que a assistente social corintiana deixou a rivalidade de lado para realizar o sonho do idoso.
– Tive que me explicar para a minha família toda, mas foi por um bem maior – disse Ana Luiza.
– No final a gente estava até torcendo junto com ele. A gente levantava junto com ele, gritava, ficava brava quando não fazia gol, mas é por ele – disse Flávia.
Da esquerda para a direira, Ana Luiza, Flávia, Angra e Walter no lar de idosos onde ele vive
Fábio Junior/EPTV
Um Sonho Possível
A ida de Walter à casa do Verdão aconteceu por meio do projeto “Um Sonho Possível”, promovido pelo lar.
Segundo Angra Reis, Coordenadora do Lar Ofélia, a ideia central é desmistificar a ideia de abandono que ainda se faz com relação ao acolhimento, e mostrar que o local pode ser lugar de recomeços e de sonhos. A verba para a viagem foi arrecada por meio de doações de uma empresa da cidade.
– O sonho faz parte da vida humana. Se a gente perde o sonho, a gente perde a esperança. E esse lugar aqui não é o lugar para acabar a vida, é um lugar que a esperança ainda precisa existir, então ações como essa mostram que a vida, felicidade, alegria e esperança são possíveis aqui dentro – disse Angra.
– É a importância de continuar sonhando mesmo em uma idade que ninguém acredita que você ainda pode ter sonhos, que você pode realizar coisas diferentes, ultrapassar barreiras – afirmou a psicóloga, Flavia.
Walter torce para o Verdão desde cedo
Fábio Junior

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