
O governo brasileiro não deve aderir à aliança anunciada nesta semana pelos Estados Unidos sobre minerais críticos e terras raras.
🔍Minerais críticos e estratégicos são aqueles que desempenham papel central na economia do presente e do futuro. São usados, por exemplo, na tecnologia de ponta, em chips para celulares e computadores e na transição energética.
O tema vai ser tratado no encontro que está sendo combinado entre os presidentes Lula e Donald Trump, em março na Casa Branca. Na avaliação do governo brasileiro, a negativa não vai abalar a boa relação construída entre os dois chefes de Estado.
Na quarta-feira (4), o governo americano convocou 54 países, mais a União Europeia, para uma reunião.
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O Brasil enviou um diplomata para participar do encontro. Na reunião, os EUA revelaram que querem criar um bloco comercial para controlar a produção, o refino e os preços desses minerais e tirar da China o domínio do mercado.
Uma fonte do Palácio do Planalto diz que o fato de o Brasil ter enviado, na reunião realizada quarta-feira (4), um diplomata de nível baixo, lotado na embaixada do Brasil nos EUA, já foi uma resposta clara de que não vai aderir ao pacto dos EUA.
O Brasil, segundo esse integrante do governo, participou do encontro mais para ter conhecimento da ideia e acompanhar os discursos sobre o tema.
Internamente, a avaliação no Palácio do Planalto é de que a ideia proposta pelos EUA a cerca de 50 países – entre os quais, o Brasil – é uma “camisa de força” e visa atender apenas interesses dos EUA.
O Brasil é dono da segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo, atrás apenas da China.
O governo Lula quer dominar o ciclo de processamento. Por isso, entende que não há interesse em se tornar fornecedor de matéria-prima ou reserva para quando o governo americano quiser explorar.
A cautela do governo brasileiro tem o objetivo de evitar que se repitam práticas de outros tipos de matérias-primas em que o país exportou sem processar e sem agregar valor.
O plano dos EUA choca com a busca do Brasil na estratégia também de universalidade no tratamento do tema na busca de parceiros.
O Brasil, segundo fontes, segue disposto a negociar não só com os EUA, mas também com União Europeia, China e Índia. Contudo, em um primeiro momento, as negociações ocorrerão de forma bilateral.
O tema deve ser tratado nas próximas viagens internacionais de Lula para a Índia e Coreia do Sul, previstas para este mês.
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Ricardo Stuckert/PR