
Flamengo 0 x 2 Corinthians | Melhores momentos | Supercopa Rei 2026
O principal responsável por fazer o Corinthians, um clube com uma dívida assombrosa que vive profunda crise política e administrativa, se transformar no time que conseguiu superar esse cenário para levantar duas taças nacionais em poucas semanas é ninguém menos que Dorival Jr. Com cerca de nove meses de trabalho, o técnico de 63 anos tornou o elenco corinthiano uma potência em copas, a ponto de derrubar, com autoridade e sem ressalvas, o Flamengo, time mais poderoso do continente, e levantar a Supercopa Rei, troféu que inaugura com festa a temporada da torcida alvinegra.
Para o confronto em Brasília, como se não bastasse ter o Flamengo do outro lado, Dorival Jr. e sua comissão técnica ainda precisaram contornar os efeitos (físicos, anímicos e gastrointestinais) de uma virose que acometeu grande parte do elenco, inclusive alguns dos principais jogadores. É uma circunstância que torna ainda maior a façanha corinthiana: dentro do campo, não era um time de convalescentes, mas de abnegados. O Corinthians superou o estrelado elenco flamenguista em grande parte do confronto, deixando o time de Filipe Luís desconfortável ao adotar uma marcação disciplinada, mas sem jamais abrir mão de jogar. É um time que reflete o que pretende seu técnico, como mostrou o gol que abriu o caminho para o título.
Dorival Júnior em Flamengo x Corinthians
REUTERS/Adriano Machado
O sucesso corinthiano recente se deve ao fato de que no banco de reservas há um especialista. Segundo levantamento do Sofascore, Dorival Jr. avançou em 22 dos 24 confrontos de mata-mata que disputou desde 2021. Sem cartaz e sem o glamour de muitos de seus colegas de profissão, Dorival Silvestre Júnior se transforma, a cada ano, em um dos maiores levantadores de taça do futebol brasileiro. E não apenas isso: é também o autor de trabalhos convincentes e vencedores.
É claro que há problemas. A campanha no Brasileiro, por exemplo, mostrou uma equipe instável que passou a temporada cambaleando na tabela. No entanto, superar o panorama caótico do clube e conseguir levar a equipe a alcançar a excelência em confrontos decisivos é um mérito que deve fazer Dorival marcar seu nome na história corinthiana. Não são apenas títulos conquistados: são títulos conquistados em condições profundamente adversas.
Os adversários deixados pelo caminho não deixam mentir. No confronto pela Supercopa, o técnico alvinegro protagonizou um confronto brilhante com Filipe Luís, que com justiça é visto como um dos mais promissores técnicos do Brasil, que mais cedo ou mais tarde vai acabar na Seleção. Antes, na Copa do Brasil, já havia superado Abel Ferreira e Leo Jardim, que contavam com equipes muito mais estruturadas, e jogou a decisão, no Maracanã, praticamente como se levasse debaixo do braço o manual de vencer finais, deixando Fernando Diniz numa sinuca de bico, em uma vitória que foi um verdadeiro triunfo do espírito corinthiano. Não foram apenas nós táticos: foi preciso todo um artesanato muito elaborado de ideias para deixar para trás rivais desse porte.
Dorival leva banho em coletiva após o título da Supercopa do Brasil
Não acredito que Dorival Jr. tenha sido injustiçado em sua passagem pela Seleção Brasileira, mas é preciso dividir responsabilidades acerca de tudo que sucedeu: seu time apresentava um desempenho insuficiente em meio ao reinado de bagunça que vigorava na CBF. No entanto, uma trajetória não pode estar condicionada a um trabalho em específico, mesmo que seja no comando da Seleção. O antes e o depois de Dorival Jr. são prova disso: muitos clubes grandes no currículo e quatro títulos de Copa do Brasil por quatro camisas diferentes.
O Corinthians é um caldeirão de emoções, para o bem e para o mal. Tudo atinge proporções grandiosas, fatalistas e dramáticas. Por isso, é preciso reconhecer a enorme empreitada que é montar uma equipe vencedora e blindar um vestiário em meio a um cenário administrativo hostil. Ontem, nas arquibancadas do Mané Garrincha, quando os corinthianos fizeram a terra e o cimento tremerem, havia muito da expectativa pelo título, obviamente, mas era sobretudo um reflexo da identificação com o time que, sob o comando de Dorival Jr., sobrevive ao clube e corresponde ao que a sua torcida espera sempre que vê a camisa alvinegra em campo.
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